Uma pesquisa de IP junta numa página dados que vêm de fontes muito diferentes. Uns são factos publicados, outros são estimativas, e convém saber distinguir. Vamos usar como exemplo um endereço da MEO, 85.240.0.1.
1. Que tipo de endereço é
Primeiro, verificamos se o endereço é público ou se pertence a um intervalo especial: privado (192.168.0.0/16…), CGNAT (100.64.0.0/10), loopback, documentação, multicast. Para esses não há rede nem localização a procurar, e dizemo-lo. A tabela de intervalos reservados lista-os todos.
2. Prefixo anunciado e ASN – facto
A linha mais fiável: que prefixo cobre o endereço na tabela de encaminhamento global e que sistema autónomo o origina. Para o nosso exemplo, 85.240.0.0/13, originado pelo AS3243 da MEO. É o que os routers da Internet usam de facto para lá chegar.
3. Bloco registado – facto, mas pode estar desatualizado
O registo (RIPE NCC) indica a que organização foi atribuído o bloco, em que país e quando. Os dados vêm dos ficheiros de delegação e, ao vivo, do RDAP. Diz quem é o titular, não onde os endereços são usados.
4. RPKI – facto verificável
O RPKI diz se o titular do bloco autorizou aquele AS a anunciá-lo. «Válido» significa que existe uma autorização assinada (ROA) que corresponde; «inválido» que a autorização existe mas não corresponde – um erro de configuração ou um anúncio indevido; «não encontrado» que não há autorização publicada. Na nossa cópia de outubro de 2026, a grande maioria das rotas das redes portuguesas era válida.
5. DNS inverso – declarado pelo titular
O PTR é o nome que o titular da zona inversa escolheu publicar. Muitas vezes revela o tipo de ligação; não é uma prova de nada. Veja Como funciona o DNS inverso.
6. Localização – estimativa
País, região, cidade e coordenadas vêm de uma base de dados de geolocalização (aqui a DB-IP Lite). São uma estimativa de onde o bloco é usado, com um raio de incerteza. O país costuma estar certo, a cidade muitas vezes não – sobretudo em redes móveis, onde o tráfego sai por poucos pontos centrais. Nunca indica uma morada. Mais em Porque é que a geolocalização de IP mostra a cidade errada?.
7. Tipo de rede e indicadores – deduções
«Rede de alojamento», «rede móvel» ou «universidade» são deduções a partir do nome registado e do PTR, e estão assinaladas como tal. O indicador Tor é diferente: vem da lista oficial de nós de saída publicada pelo Tor Project e é um facto. Não mostramos pontuações de «VPN» ou «proxy», porque os dados públicos não as sustentam com honestidade.
Em resumo
| Linha | Origem | Natureza |
|---|---|---|
| Tipo de endereço | Registos da IANA | Facto |
| Prefixo e ASN | Tabela BGP global | Facto |
| Bloco registado | RIPE NCC e outros RIR | Facto declarado |
| RPKI | ROA validados | Facto verificável |
| DNS inverso | Titular da zona | Declaração |
| Localização | DB-IP Lite | Estimativa |
| Tipo de rede | Dedução nossa | Estimativa |
| Saída Tor | Tor Project | Facto |
Cada campo de um resultado mostra a sua fonte. A página Como funciona descreve todas as fontes e a frequência com que as atualizamos.