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O que é um ASN?

A Internet são dezenas de milhares de redes independentes que concordaram em transportar o tráfego umas das outras. Cada uma tem um número. Eis o que significa.

Por ipaddress.pt

A «Internet» não é uma rede. São dezenas de milhares de redes geridas de forma independente – operadores fixos e móveis, plataformas de nuvem, universidades, empresas de conteúdos – que concordaram em trocar tráfego. Cada uma delas é um sistema autónomo (AS), e cada uma tem um número AS (ASN) único.

O que torna uma rede «autónoma»

Um sistema autónomo é uma rede sob um único controlo administrativo, com a sua própria política de encaminhamento. O seu operador é um. Em Portugal, por exemplo, a NOS origina a maior parte do seu espaço IPv4 no AS2860, a MEO no AS3243 (e a rede móvel no AS42863), a Vodafone Portugal no AS12353, a NOWO no AS13156, e a RCTS, a rede das universidades e centros de investigação gerida pela FCT | FCCN, no AS1930. Um mesmo operador tem muitas vezes vários AS – fixo, móvel, empresarial ou, no caso da NOS, redes próprias para a Madeira e os Açores. Uma grande empresa ou um organismo público pode ser um AS próprio se tiver ligações a vários fornecedores.

Os números AS são atribuídos pelos registos regionais da Internet – na Europa, o RIPE NCC. Originalmente eram números de 16 bits (até 65 535); desde o RFC 6793 são de 32 bits, e muitas redes recentes têm números acima de 100 000.

BGP: como as redes se encontram

Os sistemas autónomos trocam informação sobre o que conseguem alcançar com o Border Gateway Protocol (BGP). Cada AS anuncia os prefixos IP de que é origem – «192.0.2.0/24 alcança-se através de mim» – e passa adiante os anúncios que aprendeu de outros, acrescentando o seu número ao caminho AS.

Quando o seu pacote viaja até um site, os routers escolhem o caminho com base nos anúncios e na política de cada rede: que vizinhos prefere, que rotas aceita e pelo que paga.

Trânsito, clientes e peering

As redes ligam-se, grosso modo, de três formas:

  • Trânsito: uma rede mais pequena paga a uma maior (o seu upstream) para chegar ao resto da Internet. A Arelion, antiga Telia Carrier, é uma das maiores redes de trânsito do mundo.
  • Peering: duas redes trocam tráfego diretamente entre os seus próprios clientes, muitas vezes sem custos, em pontos de troca de tráfego (IXP) ou através de ligações privadas. Em Portugal, os pontos de troca – o GigaPIX da FCT | FCCN, o DE-CIX Lisbon, o Equinix Lisbon e o LIS-IX – ficam todos na zona de Lisboa.
  • Os clientes de uma rede são o seu downstream.

As relações comerciais não são publicadas no BGP. Só podem ser deduzidas dos caminhos AS que os coletores de dados de encaminhamento veem – uma rede que aparece logo antes de outra em muitos caminhos é provavelmente o seu upstream.

Porque são úteis os ASN

  • Resolução de problemas: sabendo a que rede pertence um endereço, sabe a quem contactar e se um problema é local ou mais distante.
  • Segurança: denúncias de abuso, listas de bloqueio e proteção contra ataques de negação de serviço funcionam muitas vezes por rede.
  • Compreensão: uma página de ASN mostra todos os prefixos que a rede anuncia na tabela de encaminhamento global, quanto espaço de endereçamento cobre, o seu estado RPKI e quando e onde o número foi registado.

Pesquise um

Cada consulta de IP mostra o ASN de origem do endereço. Ou explore redes diretamente com a consulta de ASN.

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